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Leveza insustentável

Procuro palavras vãs e rebuscadas
Para sintetizar quão leve é a leveza
Insustentável nas horas erradas
Das tuas lembranças, ora tristeza
(lembranças das melodias cantadas)

Somente compreenda, carinho meu
Não me refiro ao amargo da tristeza
Só a percepção: o tempo se perdeu
Esqueceu de cultivar a nossa leveza
(esqueceu do carinho meu e teu)

E ela se foi, voou para bem distante
Buscando outro mágico sentimento
Que pudesse trazer logo ali, adiante
A saudade daquele instintivo momento
(saudade de corpo e mente)

Pois tanto anseio e cargas emocionais
Retratam a essência... A fragilidade
Mas só se caracterizam pessoas reais
Pelo âmago do ser, da sensibilidade
(âmago dos nossos ideais)

Máscaras


Olho no olho. Miro seu olhar...tão inexpressivo
Ansiando que o amor, assim, de repente, surja
Desça sobre nós como num passe de mágica
Mas a única coisa que cai é a máscara suja

Imagino que não deveria ser tão contraditório o amor
Nem paradoxalmente tão triste a arte de amar
Quando comparada as máscaras que caem da sua face
Tornando falsas até as lágrimas que teimam rolar

Pois quando o vejo, na minha frente, parado
Não há nada para ver além de marcas do passado
E uma máscara antiga, já de outros carnavais

E então me pego a pensar no seu gesto calado
E em tudo que em vão fora um dia pronunciado
Palavras, palavras...desperdiçadas em sonhos irreais

Sem tema, sem rima

Escrever sem tema
Procurar em vão
O labirinto de incertezas
Perambulando as palavras
Que tão certas estariam

Escrever sem rima
Tão sensato não seria
Se errada não estivesse
A áurea decadente
Dos sonhos vãos
Das mentes paralíticas

Escrever sem tema
Existir sem ser
Ou ser sem existir
Lógicas parecem insanas
Quando fácil é perceber
A difícil razão de viver

Escrever sem rima
Girar em torno de si
E no mundo perder-se
Entre letras que se desmancham
Caem no vácuo e se calam...

Reflexão: as mentes que pararam de sonhar são tão insensatas quanto a poetisa que escreve este poema sem tema e sem rima. É preciso ao menos uma razão para viver. Da mesma forma que somos seres gregários, dependemos uns dos outros para sobreviver. E para sobrevivermos em sociedade, precisamos aprender a usar as palavras de forma sensata. É preciso atenção ao dizer palavras que seriam certas se fossem coerentes.