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Seu, meu modo de amar

Não, não pensei que era só meu
O seu amor
Mas não pensei que não era seu
O tal do amar

Que a ti não mais importava
Ser amado
Que tão longe do amor estava
O coração calado

Não, não pensei que era só meu
O seu ardor
Mas não quero dividir o suor seu
Com outro calor

Não, não pensei em administrar
Tanta sedução
Sequer pensei ser capaz de sonhar
Em meio a ilusão

Mas não pense que eu sou boba
Sem razão
Nem espere que eu te espere a vida toda
Para receber o não

Não, não pense que não sofro só
Ou em vão
Mas também saiba que a cada nó
Dissipa-se a paixão

Quem ganha, quem perde

Eu te odeio como odeio a mim mesma
Por não te odiar o quanto eu queria odiar
E talvez nem seja ódio o que eu sinto
Seja algo que eu nem queira imaginar

Talvez seja o sentimento de perder
Enquanto vences e levas tudo!
E eu me contento com o que resta
O que sobra do meu eu, desnudo!

Fico com as migalhas do teu amor
Sem mais cartas na manga. Veja!
Blefando, sem mais azes pra jogar
Esperando por um milagre que seja

Mas os juízes decidem, ou os deuses
O malhete bate na mesa, a vida breve
E os dados são lançados, sem piedade

Enquanto vejo-te ao longe... Segue...

Ritmo musical

Nos acordes transcendentais
Nas vísceras rasgadas com o mais fino açoite
Nas acrobacias monumentais
Dos nossos corpos vagando... Nus pela noite

Nas melodias suaves e clichês
Que falam de amor. Oh, sublime indulgência!
Soam tal qual velho filme francês
O mais puro lirismo breve, clamando urgência...

Na voz escravizada dos anjos
A brasa sonora que abriga a delicada sinfonia
São os versos de doces arranjos
Que unem nossos corpos em perfeita harmonia

Enamorada das notas musicais
Ritmo, tempo... Sons e silêncio em perfeita sucessão
O timbre dos sussurros teatrais
Na arte das musas, o profundo suspiro finda a canção

Máscaras


Olho no olho. Miro seu olhar...tão inexpressivo
Ansiando que o amor, assim, de repente, surja
Desça sobre nós como num passe de mágica
Mas a única coisa que cai é a máscara suja

Imagino que não deveria ser tão contraditório o amor
Nem paradoxalmente tão triste a arte de amar
Quando comparada as máscaras que caem da sua face
Tornando falsas até as lágrimas que teimam rolar

Pois quando o vejo, na minha frente, parado
Não há nada para ver além de marcas do passado
E uma máscara antiga, já de outros carnavais

E então me pego a pensar no seu gesto calado
E em tudo que em vão fora um dia pronunciado
Palavras, palavras...desperdiçadas em sonhos irreais

Confio

Confio na sua capacidade de digerir mórbidas lembranças
No seu mau gosto para escolher o que mais combina comigo
Como se me conhecesse mais do que eu mesma
(e talvez seja isso mesmo)

Confio nas mentiras lançadas ao vento
Com a mais vã das verdades
Exposta no quadro da paixão
Onde ficam os restos mortais do nosso amor

Como seria?

Como seria se você não existisse?
E se o destino não nos permitisse?
Estariam na fronteira do amor
As gêmeas das almas
Vagando à procura da metade?
Ou só conheceriam a dor
E no vácuo teriam o amparo
Da triste e nebulosa solidão?

Como seria se as mãos eu não sentisse?
E os beijos eu não pedisse?
Ardor terrível de se imaginar
Lamúrias ecoariam aos quatro ventos
Chamando pela alma perdida
Os pulmões perderiam o ar
Que levaria enchentes de lágrimas
Que levaria, por fim, do coração o palpitar